Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Produndíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
- Augusto dos Anjos
bastante a ver esse poema com o tema, Augusto dos Anjos fala tanto com tão poucas palavras! Muito bom!
ResponderExcluirCarol Lopes
Augusto dos anjos, "Cantor da poesia de tudo que é morto". Como não citar esse poeta que nós faz refletir sobre a morte em suas metáforas! Parabéns, aguardando próximas postagens!
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