sábado, 23 de maio de 2015

A morte segundo Jorge Amado:

    No livro "A morte e a morte de Quincas Berro D'água" o consagrado autor baiano discorre claramente sobre a temática da morte, evidenciando que não existe somente a morte física, quando há ausência de sinais vitais num corpo, uma vez que seu personagem morte em três momentos distintos, alternando mortes sociais à morte física.

    A primeira morte de Quincas ocorre para a família, mulher e filha, do personagem, já que ele a renuncia por uma vida de farra, malandragem e bebedeira junto à "ralé" da sociedade de Salvador. Abdicando, assim, de tudo aquilo que construiu durante sua vida, mudando de costumes, de modo que morre para uns e nasce para outros.

   Então, ocorre a sua morte física, na qual ele estava só, largado em sua cama, num quartinho imundo. Contudo, ainda que sem sinais vitais, suas aventuras não terminaram, uma vez que para seus amigos ele ainda continuava "vivo", sendo carregado para um último "giro" pelo baixo mundo em que habitava.

    Por fim, há sua última morte, a que ocorre para seus amigos, sendo dada por esses como a verdadeira morte de Quincas, quando o seu corpo cai no mar.

- João Couto

O que é a morte? Seria ela um simples fato ou um objeto complexo?

"Morrer é algo que nós seres humanos fazemos constantemente, não somente ao final de nossa vida física nessa Terra."

- Elisabeth Kübler-Ross


   Durante a história, diversas culturas tentaram retratar sua visão sobre a morte, personificando-a ou deificando-a, para de alguma forma tentar entende-la e explica-la. O morrer em algumas culturas configura-se até como questão de honra.
   
   O conceito básico da morte, ou como podemos chama-la melhor, a morte física, constitui-se como um momento irreversível no qual toda atividade biológica de um corpo, necessária para viver, cessa. No entanto, seria essa a única forma de morte entre nós seres humanos?
   
   A partir do momento em que nos distinguimos de outros animais por possuirmos emoções e raciocínio (lógico e emocional), estes não poderiam se tornar peças fundamentais para compor a existência humana?
   
   A morte pode se configurar de formas distintas, não se limitando apenas ao fator físico, palpável de si mesma. A morte subjetiva pode configurar-se como a existência física, mas não mental/emocional de um indivíduo.
   
   O ser humano, assim como todos animais, possui um instinto de sobrevivência. No entanto, o homem possui um fato que interfere em tal. Em cada um de nós “convive” duas ideias, que ajudam a compor a vida, mas podem vir a se opor: a vontade/motivo de viver X o instinto de sobrevivência.
   
   Aquele que perde sua vontade de viver - podendo ser por exemplo: por um evento em específico no decorrer de sua vida, tornando-se estagnado em seu próprio espaço e tempo, limitando ou até cessando suas relações - estaria entrando em conflito com seu próprio organismo que luta incessantemente para sobreviver. Poderia isto ser considerada uma forma de morte? Ou talvez um morrer gradual?
   
   O que se crê, segundo pensadores/estudiosos, é que a morte vai além de um viés meramente orgânico, e que existe mais de uma faceta para este objeto complexo, seja ela emocional, ou até espiritual, afinal, além do próprio indivíduo, a morte possui um efeito muito mais amplo.

- João Marcos Neves